domingo, 27 de fevereiro de 2011

INSTABILIDADE

Por mais que tentemos colocar nossos pensamentos em ordem e discernir o que desejamos e o que acreditamos em certos momentos da nossa vida, muitas vezes nossos pensamentos se confundem e não conseguimos colocá-los em palavras de forma concisa. Isso me ocorre frequentemente. E eis que alguém, em uma conversa completamente despretensiosa, consegue colocar em palavras aquilo que você também crê (pelo menos até aquele momento) de um modo simples. E de repente tudo o que você ouviu passa a ter um sentido complexo e então várias certezas e questionamentos começam a desencadear-se.
Ontem estava em um bar num bate-papo muito descontraído com mais quatro mulheres. Conversávamos sobre vários assuntos (quem já presenciou conversa de mulher sabe como a conversa muda com uma frequência admirável rs).Começamos a falar sobre relacionamentos e os vários eixos temáticos que são transversais em relação a esse assunto. De repente, de uma forma tão natural, uma delas (muito filosófica por sinal rs) diz: *"Enquanto houver desejo haverá esperança"*. "Nooooooossa! Anota agora!" Foi a minha primeira reação..rs e a segunda: PENSAR! Como já disse no meu post anterior, estou vivendo a fase da ARTE DE PENSAR SEM MEDO!
E o que é o DESEJO? E a ESPERANÇA? Então se a gente conseguissse acabar com o desejo, a esperança estaria eliminada e os problemas resolvidos? Hum... Nem deve ser tão simples assim, senão alguém já teria divulgado a fórmula e a gente bem sabe que não tem fórmula pronta, nem caminho determinado. NÃO É ASSIM!
Levando essa "história" de desejo adiante, podemos concluir que ela produz INSTABILIDADE e a mesma que soltou a pérola, me escreveu hoje: "o desejo qdo provoca uma instabilidade (deliciosa por sinal, em vários sentidos) sai de baixo, haja blog para escrever meu bem rss"  E haja blog mesmo! rs
DESEJO = INSTABILIDADE ( e isso meu assusta um pouco! rs)
 Nessa união que torna-se uma interseçao de sentimentos, o que me mobiliza? O que te mobiliza?
Até esse momento, prefiro ficar com uma frase que alguém* escreveu: “Amo com o corpo inteiro, que estremece e me emudece ao falar por si próprio.”

*o crédito é seu! M.B (rs)
Juiz de Fora, 27 de Fevereiro de 2011.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Lado esquerdo

Estava hoje andando apressadamente (como de costume) e de repente me peguei analisando um fato: as pessoas preferem o lado esquerdo da rua!
Essa análise pode parecer banal e foi o segundo pensamento que me ocorreu logo depois de concluir o fato. Como nossa mente é realmente rápida!
Diante da minha conclusão, comecei a questionar o que me levou a ter tal análise. Uma avenida, pessoas apressadas (assim como eu) em uma tarde de sexta-feira e o lado esquerdo?
Realmente essa cena mexeu comigo e nesse momento me ponho a falar sobre o que isso desencadeia em mim. Tenho lido Clarice Lispector, autora que admiro profundamente, e um de seus escritos parece ser adequado (como tudo que Clarice escreve): "Pensar é um ato. Sentir é um fato". 
Então eu sinto! A arte de pensar sem medo! 

Mas voltemos ao assunto em questão que me mobiliza! Será que assim como Drumond escreveu Vai, Carlos! ser gauche na vida", de forma disfarçada, todos querem ser gauches?
Observarei mais daqui em diante se minha conclusão é coerente. Não sei ainda se isso será bom. Provavelmente será frutífero!

Aviso: O MINISTÉRIO DA LITERATURA ADVERTE: LER CLARICE CAUSA A ARTE DE PENSAR SEM RISCOS.

"Mas devo avisar. Às vezes começa-se a brincar de pensar, e eis que inesperadamente o brinquedo é que começa a brincar conosco."
(Clarice Lispector - Aprendendo a viver)


Pauliane Godoy
25 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Eterno movimento (tríade da vida)

Eu poderia tentar dizer de várias maneiras quem eu tenho sido durante todos esses anos. Talvez fosse mais fácil apenas dizer que tenho sido alguém que está sempre tentando ser feliz, mas será que apenas isso bastaria para definir alguém tão plural?
Há tempos venho me questionando nessa busca incessante pelo auto-conhecimento. Como uma pergunta tão simples pode ter sentidos tão complexos?
Dizem que ao nos conhecermos conseguimos então definir o que queremos para nós mesmos e desse modo nos tornamos capazes de entender o que nos cerca. Mas será tão simples assim? Como uma pergunta tão simples pode fazer com que eu questione meus princípios, escolhas, crenças e tudo mais? Será essa apenas uma questão muito além do que eu possa entender?
Quanto mais tento me entender, mais me desentendo! Seria hilário se não fosse estranho. Procurei músicas, trechos de livros, autores que admiro, em filmes, se através destes "sinais" pudesse ficar mais claro para mim quem eu realmente sou, mas estas "buscas" parecem ter sido em vão, afinal, nenhuma verdade pode ser absoluta, pois como ser humano sou inconstante! O que eu quero hoje talvez não seja o que eu queira hoje e nem seja o que eu que queira amanhã.
Acredito que desvendar-se é ir além do que possa ser desvendável. Possuímos valores, posturas e crenças definidas pelo o que é socialmente aceitável e na maioria das vezes nos moldamos a partir desse preceitos, mas ser apenas socialmente aceitável é cansativo e devo admitir: pessoas comuns me cansam!
Sou alguém especialmente apaixonada pela vida, que adora estar perto de quem ama. Já me falaram que sou engraçada porque sou meio desligada e às vezes me perco em um mundo que é só meu. Adoro conversar e normalmente quando fico muito calada, as coisas não estão bem. Adoro receber e dar carinho, mimar as pessoas de uma forma única, mostrar aos que amo o quanto os amo. Adoro surpreender aqueles por quem tenho carinho com atitudes que os façam felizes, só para eu poder ver aquele sorriso sincero. Amo observar o jeito das pessoas; a forma de sorrir, o jeito de olhar em diferentes situações, aquele jeito tão particular de falar ou andar...jeitos que tornam as pessoas tão únicas. Adoro sonhar e conquistar! Às vezes nem sei bem o que fazer para conquistar o que quero, mas sei que conseguirei de alguma forma e sou movida por essa fé. Alguns amigos me definem como frenética (rs) mas tenho também meus momentos de solidão, nos quais sempre fico pensando: E agora? Chorona assumida, não tenho medo de demonstar o que sinto. Apesar dos pesares, ainda consigo me emocionar com coisas simples como um sorriso sincero, a solidariedade que algumas pessoas ainda são capazes de demonstrar, o novo dia que  amanhece e as oportunidades que surgem com ele, uma frase que tem o poder de transformar as pessoas...
Viver é descobrir e algumas dessas descobertas me marcaram para sempre. Algumas destas descobertas foram dolorosas, mas de algum modo elas contribuíram para uma Pauliane mais lutadora, objetiva e com certeza, mais independente. E claro, para descobrir-se, é preciso excursionar...internamente e externamente. Conhecer pessoas, lugares e acrescentar isso tudo a mim!
Sou especialmente carinhosa com aqueles que me são queridos e extremamente indiferente com aqueles que me decepcionam. Acredito nas pessoas até que me provem o contrário e odeio quando estas não agem de forma coerente com o que falam. Sei que pode ser considerado um defeito, mas obviamente, tenho vários!
Adoro estar em agradáveis companhias. Uma boa conversa sempre me anima. Bons livros, boa música, assistir ótimos filmes, dançar e às vezes, até o dia amanhecer...Mas também tenho meus momentos completamente intimistas. Amo tirar fotos para registrar momentos especiais, fazer vídeos, montar clipes inesquecíveis e em alguns daqueles momentos intimistas, rever todos os clipes e vídeos e ficar relembrando daqueles momentos que foram tão bons!
É extremamente bom receber mensagens daqueles que amo, ou ser acordada de madrugada com uma ligação daquela pessoa especial; receber aquela carta, escrita a mão, mais do que esperada e ainda sentir aquele friozinho na barriga, tentando advinhar qual será o seu conteúdo. Ouvir mil vezes a mesma música e pensar em algo ou alguém especial, afinal, sempre tem uma música! Cantar debaixo do chuveiro ouvindo aquele cd que me faz pensar em tantas coisas....acordar com os dias da semana todos planejados e ter aquele domingo para poder curtir a cama, sentindo o cheiro do meu travesseiro e não ter absolutamente nada planejado. É especialmente bom quando fico pensando em como será minha vida daqui a alguns anos. Às vezes bate um medo, mas então percebo que ainda tenho tanta coisa para aprender...
É engraçado como reencontrar "velhos" e eternos amigos pode ser tão revelador, pois eles me fazem perceber como é bom às vezes estar errada, contrariando assim meus velhos conceitos.
Adoro ter aquele dia de inspiração e escrever para tentar compartilhar os meus sentimentos mais profundos. Na maioria das vezes esses escritos me frustam por me fazerem perceber que eu não tenho o talento dos escritores (as) que admiro. Mas e daí? É gostoso poder rir de mim mesma! Igualmente prazeroso é reler velhas cartas de uma época tão especial ou reler antigos diários e perceber que muita coisa mudou (ainda bem) e ter certeza que muitas coisas ainda mudarão. E quer saber? Eu não me culpo por não saber definir exatamente quem eu sou, porque na realidade eu não sou, mas estou e esta é para mim a grande mágica da vida: não ser, mas estar...

Pauliane Godoy
20 de fevereiro de 2011.


Triskle













quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Espera

Vivemos sempre em compasso de espera. Esperamos o dia que tudo será melhor, porém há dias em que simplesmente a espera passa a ter um novo compasso; a espera pelo fim do dia. Todos temos aqueles dias que uma dor chega e se apossa de nós . E hoje estou vivendo um desses dias.
Costumam dizer que a dor traz ensinamentos, mas não é bom sentir-se assim, tão fora de controle. Talvez se "perder" seja bom, mas se perder de forma consciente, quando realmente desejamos nos deixar fora de controle e não nos preocuparmos com o nosso auto-controle para que possamos viver novas experiências.
Tenho me questionado e percebo que sou muito preocupada com o "controle".Será que eu tento controlar até meus sentimentos?
Passar por alguns desse dias down de algum modo são parte da vida e talvez eu deveria aceitá-los de forma mais tranquila, porém não é bom sentir que várias coisas não são da forma como eu gostaria e apesar de muito tentar, não adianta só isso, pelo menos até então.
Em dias assim, me sinto meio perdida e qualquer música, frase ou cenas cotidianas me fazem lembrar pessoas que ainda permanecem em mim, apesar não de estarem por perto, lugares em que estive e me fizeram uma Pauliane diferente, pois em cada um desses lugares nos quais estive e com cada uma dessas pessoas que conheci e convivi  fui uma Pauliane distinta. Em momentos assim, me descubro multifacetada e  a "sullen girl"  faz parte dessas multi formas de ser e agir. Percebo que talvez deveria respeitar mais essa parte de mim. Vivemos tão preocupados em sermos FELIZES que não aceitamos que estar triste, com saudade, com vontade de chorar, também são estados NORMAIS. Deveria aceitar que esses estados fazem parte de mim e que a longo prazo talvez possam contribuir para que eu me torne uma pessoa diferente; talvez mais reflexiva e que consiga me aceitar melhor.
 "O que você tem? Está tão triste hoje!" Essa frase sempre parece vir com um ar de repreensão. "O que? Como você pode estar assim?" Atenção, o alarme foi disparado.Parece que é PROIBIDO SOFRER, CHORAR, FICAR/ESTAR TRISTE, SENTIR SAUDADE. Essa é a mensagem que recebemos de forma direta e indireta e me sinto como se estivesse sempre me "adestrando" para não me sentir assim.
Eu sei que vai passar, sei que não vai ser asssim sempre, pois eu não sou assim, mas vou me dar o direito de poder chorar por motivos banais (talvez para você), me entristecer, querer escutar Fiona Apple repetitivamente, rever cenas mentalmente, me arrepender, lutar contrar minhas próprias escolhas, questionar o destino e até às vezes Deus ( sei que ELE me perdoa)  e ainda  me reservar o direito de jogar a culpa na TPM. Pelo menos como mulher, posso jogar a cupla na TPM uma vez no mês e todos irão me entender....porém COMPREENDER...isso às vezes nem eu!

Pauliane Godoy

Juiz de Fora, 16 de fevereiro de 2011.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Felicidade Realista

 Estou lendo um livro de crônicas da Martha Medeiros (Montanha Russa) desde a última viagem que fiz para Paraty e uma das crônicas em particular mexeu muito comigo. Lembro exatamente onde estava quando a li. Estava sentada em uma praia bem isolada e não havia quase ninguém. Ao ler a crônica Felicidade Realista, senti as palavras penetrarem fundo em mim.Fiquei com essa sensação durante a viagem toda e quis colocar em prática aquelas palavras de tanta profundidade. Creio que a crônica tinha tudo a ver com o momento que estava passando...viajando sozinha e me excursionando...tentando me ajeitar internamente e refletindo sobre alguns acontecimento da minha vida, que naquele momento eram muito especiais. Estava vivendo uma experiência afetiva e de descoberta e acabei me encontrando nessa crônica. 
Depois que voltei, continuei lendo o livro, mas acabei me "esquecendo" daquela crônica que tanto havia sido importante. Então hoje, estava relendo algumas crônicas do livro e me deparei novamente com ela. Foi uma sensação muito boa. Parecia uma criança que tinha achado algo que estava procurando havia tempo. Foi e creio que sempre será muito importante reler essas palavras, pois elas dizem bastante de mim nesse momento de minha vida.
Deliciem-se com Felicidade Realista, que erroneamente, é vinculada na internet como um texto de Mário Quintana.

Juiz de Fora, 13 de fevereiro de 2011.



FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três maridos, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.
Martha Medeiros

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Urgência

Entretanto e entre tantos me encontrei.
Apesar dos "apesares" me permiti 
e inesperadamente me descobri
assim...ah, não!
Embora não possa definir
toda via me alcança.
Todavia, eu não queria ter que me decidir!

Nos contrastes desse urgência
vou me surpreendendo e me suportando.

Pauliane Godoy - 07 de fevereiro de 2011