sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Martha* disse: "O tempo não cura nada. O tempo só tira o incurável do centro das atenções." E como ela estava certa. De uma forma bastante estranha me pego concordando plenamente com essa declaração, ou seria uma constatação?
O que leva alguém a ainda ter alguns sentimentos que ao mesmo tempo trazem sensações tão boas e tão "estranhas"? Como lidar com situações que muito além da esfera racional são completamente irracionais? 
O que seriam sensações "estranhas"? rs Eu mesma pego-me a questionar isso também. De uma forma estranha ( perdoe-me pela repetição,mas nesse momento essa palavra me ronda) é uma raiva inexplicável, talvez um pouco novela mexicana rs, não necessariamente nessa ordem. 
Perceber-se tão à mercê de si mesmo é tão incomodo. Porque depois de tanto tempo você ainda se pega lembrando de momentos e sensações que na esfera da realidade não te ajudam, apenas te fazem se culpar por ser daquele jeito, naquela época? Por que eu não tenho a cabeça que tenho hoje naquela época? Será que fiz a opção certa? E se tivesse agido diferente, quão diferente eu estaria hoje? Mas será que se tivesse agido diferente eu seria a pessoa que sou hoje? Porque de uma forma racional eu não teria passado por todas as experiências pelas quais passei e talvez não tivesse a cabeça de hoje. Então você se percebe em um ciclo de questões que não mudam em nada sua vida de hoje. 
Mas na vida nem sempre tudo funciona de forma prática, penso que na maior parte das vezes não é.
E quanto mais você pensa percebe que o tempo que você acreditava ser o "melhor remédio" para tudo, na verdade não curou, apenas te fez por um tempo achar que você estava certa, bem "dona" de si e de suas decisões e quando essa sensação reaparece você vê que a sua certeza era apenas uma tentativa de fuga.
Então você se pergunta: e o que eu faço com essa "nova informação"? De que ela me serve? 


Pauliane Godoy





*Martha Medeiros