E depois de tantos anos de longe te vi. Há tempos estou aqui em silêncio.Lá estava você, diferente, um jeito mais adulto de ser. Mas aquele teu sorriso bobo permanecia no rosto, do mesmo jeito que vi pela última vez e a paradinha com a mão na cintura era a mesma. Mil coisas se passaram pela minha mente em um período tão curto. Os cinco minutos mais criativos que já tive. Um frio na barriga, um pensamento de “Putz, nem me arrumei!” Ajeitei o cabelo e passei um batom. Lembrei de todas as vezes que você me fez sorrir com brincadeiras que eu nunca entendi muito bem, as mensagens com coisas indecifráveis e o famoso "pods krer"...se bem que nem lembro se era assim que escrevia.
Mas não foi apenas ali que lembrei de você. "Será que a sorte virá no realejo?/ ou talvez num beijo teu que me empreste alegria, que me faça juntar todo resto do dia..." Lembro de você a tocando para mim no violão em uma manhã mal dormida...mas pra que dormir quando eu estava com você?
E os sonhos que você andou invadindo? Mas eu gostava dessa visita. Apesar desse tempo todo sem te ver, a gente andava se esbarrando por aí de uma forma mais alternativa. Boa o bastante para fazer com que eu ficasse repassando as cenas na minha cabeça e escrevendo no meu diário que até hoje ainda tem lugar para você! Você me ofereceu experiências, peculiariedades, vivências, sorrisos, cócegas com respiração quente, beijos daqueles com suspeita de saudade e alguns orgasmos!
E naqueles cinco minutos te olhando passou pela minha cabeça outra trilha sonora diferente do que estava tocando na vida real. Durante aqueles cinco minutos eu fui abduzida para um mundo que é só meu: "Tocava aquela música que era nossa cara quis saber como você estava, senti a sua falta..bem que você podia me ligar! Como vai? O que tem feito? Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira, pra fingir que tá tudo certo, que minha vida continua da mesma maneira. Mas o tempo que era tão pouco com você por perto agora um deserto. Já sei que as flores de plástico não vivem!"
Então a Alana Davis invadiu o meu espaço e me lembrou que " (...)On my own it's no fun to roam /I've got to find me someone to be around /When all these blues get me down /Maybe you've got the time /Maybe you'll share yourself with me /I don't need to call you mine/Just like you, babe I need to be free /And just like you, babe I need to be me /Just like you, baby I would be so easy to love..."
Por que eu deixei você ir mesmo? Não importa mais, não é mesmo? Passou. Também tentei outras vezes, mas o rumos da vida não permitiram. Escolhas. Se eu pudesse escolher eu queria ter superado. Houve outros, claro! Alguns que foram importantes, outros nem tanto. Quando a gente se descobre percebe quanto tempo perdeu tentando descobrir os outros. E eu até já te pedi conselhos de "menino" e você me ajudou, mas ainda há algo que eu não consigo entender, apenas sentir. Será que por causa desse conselho você achou que eu não me interessava mais por você? Seria mais fácil, mas não...eu ainda me importo. Não direi infelizmente, porque apesar de ser um "jogo" de sorte que pode ser arriscado, é muito gostoso sentir esse sentimento tão vivo. Talvez adormecido, até em função do tempo, mas saber que ele está lá. Guardado em um lugar muito especial e que a cada sonho, "reencontro" ou lembrança ele volta de um modo muito significativo e único. Já me julguei uma idiota por isso, por dar bandeira, mas eu não sei os rumos que podem me levar ao caminho que eu desejo. Podem ser caminhos mais tortuosos, mas por que não sentir e se permitir sentir? Há um tempo te enviei um texto da Martha Medeiros e você disse que havia gostado. Eu o acho muito especial e se relaciona a se permitir. E eu me permito sentir isso por você! Eu quero mais:mais proatividade, mais aventura, mais certeza, mais desejos, mais fantasias, mais sacanagem, mais vidros embaçados, mais paredes e menos obstáculos. Atreva-se comigo!
“Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem. Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto? A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa. Ser feliz por nada talvez seja isso."
Hoje eu fiquei feliz: feliz pela troca de olhar...aquele olhar, pelo sorriso que tanto me encantou naquela boate há 6 anos. Nossa! Quanto tempo! Mas a saudade tem seu charme, pois quanto maiores forem nossas lutas diárias e os pedágios que pagamos, maiores serão nossas saudades! Quero te conquistar com companherismo, cumplicidade, amor e sacanagem! Pode ser que a gente só precise de beijos no escuro, abraços apertados e cochilos no banco traseiro do carro.
Então que tal? Eu, você e o mundo...o ménage ideal!
Quando o meu sorriso vira consequência do seu isso me anima!
Pauliane Godoy - 08/06/14
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Nessas linhas você descobrirá o que precisa saber antes de morar em mim!
Fellipe Rocha
Se os meus olhos são as janelas da minha alma, minha boca é a porta e, o beijo que acabo de te dar – a chave. Peço que repare na bagunça e pense, pense muito bem antes de entrar. A casa é pequena, mas comporta muitas coisas. Os cômodos do meu coração estão abarrotados de tentativas, repletos de receios, e guardam pilhas intermináveis das minhas mais vulneráveis expectativas.
Agora me responda: Tem certeza que quer entrar? Se a resposta for positiva, peço que entre comcalma. Na sala do meu coração você encontrará centenas de filmes, que me fizeram rir e chorar – no abrigo de outros braços. Músicas que embalaram altos e baixos – com outros amores. Muitas fotos de viagens que fiz e coisas que quis, mas que hoje não passam de antigos e distantes rumores.
Na cozinha você sentirá o cheiro de muitos jantares. Temperos que eu costumava adorar e hoje já não posso suportar. Velas apagadas pela ação implacável do tempo. Talheres que alimentaram outras bocas e taças que embriagaram outros corpos.
Meu banheiro exala o cheiro de tantos perfumes, sabonetes e loções – quanto de decepções. Fios de cabelos distintos entopem o ralo do esgoto, enquanto escovas de dente diversas ocupam o chão. A água do meu chuveiro já lavou outros suores e o espelho sobre a pia já refletiu dias melhores.
O quarto do meu coração é o cômodo mais bagunçado, guarda tantas lembranças boas – quanto amores dilacerados. Nele você encontrará todo o prazer que dei e recebi. Todas as lágrimas que derramei e todas as alegrias que senti. Vários livros de cabeceira. Roupas por todos os lados. Noites em que fui feliz, e outras em que desejei dormir e nunca mais ter acordado.
Agora preciso que me diga: Tem certeza que quer continuar? Sim? Então caminhe até o quintal. Lá você verá quem fui e quem sou. Os espinhos que colhi, quando flores plantei e os fracassos que colhi – quando esperanças semeei. Mas verá também um pedaço de terra fértil, que resistiu bravamente e, anda precisando – urgentemente – de água, adubo, calor e amor.
Agora me responda com toda a sinceridade que reside em ti: Deseja assumir a responsabilidade de revitalizar a minha horta? Quer me ajudar a varrer o chão, lavar os pratos e pintar as paredes? Está disponível para me auxiliar na troca dos móveis e com a nova decoração? Carregará comigo todo o lixo para fora? Quer – do fundo do seu coração – habitar o meu?
Sim? Perfeito, cuide bem de tudo – a casa agora também é sua.

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