quarta-feira, 9 de abril de 2014

Muito tempo que não venho aqui para compartilhar meus pensamentos e meus rascunhos nesse espaço especial.
Subitamente hoje (incrivelmente após uma crise de enxaqueca horrível) me pego com vontade de escrever algo. Mas não sobre a minha noite super mal dormida. Queria algo mais profundo, talvez até para testar se meus neurônios continuam funcionando depois daquela dor horrível.
Fui consultar alguns autores que gosto para ver se a partir deles as palavras que queriam sair pudessem se sentir a vontade para vir à tona. Olhei minha estante cheia de tudo que gosto, mas escolhi três: Bauman, Clarice Lispector e Martha Medeiros.
Tenho a mania de passar a marca texto em trechos que de algum modo mexeram comigo. Estratégia super eficiente, já que também marco a data que li o livro. Desse modo, eu posso tentar me recordar porque tal trecho foi significativo para mim quando li. Pode ser que continue a ser - na maior parte das vezes é isso que acontece. Dessa vez não foi diferente.Porém pude perceber algo em comum com alguns trechos desse autores super diferentes.
Eu queria falar sobre destino, amor, vida e nada mais cliché e bom de escrever quanto a decepção amorosa. Essa parte pode estar nas entrelinhas, mas sempre funciona e é bom fazer. É uma espécie de autoterapia que ajuda a "perdoar" seus amores do passado e talvez até mesmo do presente.
Então, o que você acha entre a relação do amor e destino. Tudo a ver né? Mas como Bauman afirmaria em um do seus magníficos livros: O amor é líquido! E o que seria mais líquido do que o destino? Tão líquido que até evapora! E a gente passa tanto tempo esperando AQUELE amor que até se esquece que ele pode nunca ocorrer. "Sad, but it's true!" Afinal, destino é uma estrada, ou até mesmo estradas que a gente não sabe até onde levam. Pode ser que ocorram vários amores ao longo da vida, mas ainda falta AQUELE tal amor. E aí me lembrei de uma música do Jay Vaquer ("Mas se me desmantelo ao acaso/Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor/ 8 e 80 por ruas estreitas do pensamento/De todo bom jogador..") Logo"É da natureza do amor ser refém do destino." Zygmunt Bauman (O amor líquido)
Mas não é para contaminar você com minha noite mal-humorada e te fazer perder as esperanças. Não, isso não faz parte do meu plano. Eu só queria dizer que para viver os amores não é necessário achar que tem que haver AQUELE amor. Por que não fazer das pequenas história de amor algo que seja especial? Afinal, nem tudo tem que ter aquela adrenalina da primeira vez. Penso que até nem é saudável expor seu corpo e principalmente seu coração a tantas emoções. Aquela corrente de adrenalina pode fazer com que seu coração entre em curto e aí já era. O emocionante pode estar nas pequenas coisas e já não somos adolescentes para querer viver de forma tão rápida, como se amanhã não houvesse mais tempo. Calma...você ainda tem seus 30 e pode experimentar um pouco de cada coisa, afinal tem muito tempo para aproveitar.
"Generalizando, dá pra dizer que todos nós estamos meio robotizados e só conseguimos nos emocionar se formos estimulados pela velocidade e risco. (...) O que não dá é para se viciar em novidade e perder a capacidade de comover-se com o banal, pela simples razão que emoção nenhuma é banal se for autêntica." Martha Medeiros (Doidas e Santas)
Devo concordar também com a Clarice (amiga íntima) pois "Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata. Clarice Lispector (Aprendendo a viver)
Logo...ah, você mesmo pode tirar suas conclusões!

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